Os sindicatos dos bancários, uma profissão em extinção, deveria mudar seus métodos e metas. Hoje, a maioria das pessoas e empresas pode viver sem as agências, usando a internet, os caixas eletrônicos e cartão de débito. Eu mesmo só piso no banco para visitar o gerente ou se preciso fazer um saque acima do limite dos caixas eletrônicos.
Minhas contas, pago pela internet ou com cartão de débito, não uso cheque. Não sou o único, somos muitos. Por isso fechar agências não faz o mundo parar, como antes. Ao contrário, significa boa economia para os bancos, cuja meta é fechar todas as agências que puder.
De quebra, incentiva o cliente “boca de caixa” a aprender a gostar de usar os meios eletrônicos. Por isso mesmo, a meta dos sindicatos deveria ser impedir demissões e garantir correção da inflação. Acima disso, só dão combustível para a alegre fogueira dos banqueiros.
A cada greve, mais clientes passam a usar os meios eletrônicos, reduzindo toda a necessidade de funcionários. Os prejudicados pela greve dos bancários não são os banqueiros, mas as empresas, que sofrem atrasos graves nos recebimentos e são obrigadas a atrasar seus pagamentos.
O que pode sobrar para os funcionários, se não houver dinheiro para os salários. Ou seja, os “companheiros” bancários acabam prejudicando os “companheiros” que operam em empresas. Além disso, este papo flácido de que “com aumento de salário o cliente recebe um atendimento melhor” nunca se comprovou na prática.
Quem atende bem, faz isso com ou sem aumento. Os estressados e mal educados continuam atendendo mal, seja com salário baixo ou alto. Não sou contra a greve, mas ela devia ser último recurso e não o primeiro, como hoje fazem os sindicatos.
Toda greve coloca os interesses pessoais de um grupo à frente do direito da maioria em receber os serviços.
Por Marcel Leal do Jornal “A Região”.