Do “Cena Bahiana”.
Nada mais fácil do que encontrar motivos para criticar a saúde pública no Brasil. São notórios os problemas desse setor, em virtude de um descaso histórico, que se reflete na frágil estrutura, insuficiência de recursos, baixa remuneração que se reflete na falta de dedicação adequada das equipes.
Em Itabuna, grande parte desses problemas está relacionada à perda da gestão plena do SUS. Embora tenha sido motivada por graves denúncias de desvios cometidos sob a gestão do então prefeito Fernando Gomes, a punição se prolongou pelo governo que o sucedeu e atingiu principalmente a população.
Com os serviços mais complexos controlados pelo Estado, houve uma redefinição das cotas para diversos procedimentos de saúde, sem a mínima atenção para o que de fato é mais necessário. O que justificaria, por exemplo, a forte redução das cotas para consultas oftalmológicas?
Em 2008, quando o município ainda detinha a gestão plena do SUS, o número de consultas estava em 4.609, enquanto no ano passado as cotas liberadas pelo Governo do Estado foram apenas 497. O resultado disso é a grande espera dos pacientes nas filas por exames, não só oftalmológicos, mas também cardiológicos. Há pacientes que morrem esperando pelo atendimento e essa é a consequência mais cruel de um problema que logicamente não se restringe apenas a números e bravatas políticas.
Com todas as dificuldades, Itabuna se mantém como polo de saúde, sendo referência para mais de 100 municípios do Sul, Extremo-Sul e Baixo-Sul da Bahia. A cidade recebe pacientes até de Ituberá, na região de Valença.
No recém-divulgado Índice de Desempenho do SUS, que apurou números de 2011, Itabuna aparece no mesmo grupo de Feira de Santana e Vitória da Conquista (grupo 2) e nota semelhante a estes municípios. Isto porque enfrentam problemas e dificuldades parecidas, em razão de se tratar de centros regionais. A nota de Itabuna no IDSUS foi 5,30, um pouco atrás de Feira (5,34) e à frente de Conquista (5,06).
O índice não permite comparação com municípios situados em grupos diferentes. De acordo com o Ministério da Saúde:
“Em função da grande diversidade dos territórios do nosso país, não seria adequado realizar uma classificação que apenas posicionasse, em ordem crescente ou decrescente, os municípios brasileiros. Assim, para realizar uma avaliação mais justa, a análise comparativa das notas do IDSUS deve ser feita por meio dos Grupos Homogêneos. Apenas dentro deles, por apresentarem características similares entre si, é possível traçar um paralelo comparativo”.