A cada 10 uvas consumidas à mesa dos brasileiros, nove foram cultivadas no Vale do São Francisco
A Bahia ostenta o posto de segundo maior produtor de algodão do Brasil e em qualidade fica na primeira colocação, com cerca de 400 mil hectares de plantio. Em 2025, o estado cultivou 2 milhões de hectares de soja e 160 mil hectares de milho. No Oeste baiano, Santa Rita de Cássia tornou-se o município com o maior rebanho bovino – 210 mil cabeças de gado. Itamaraju, ao Sul, está em segundo lugar, com 187 mil cabeças. Em Luís Eduardo Magalhães, a Captar Agrobusiness mantém em confinamento 65 mil bois, e a expectativa é a de duplicar a marca até 2030. Os números refletem a valorização do agronegócio baiano durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues.
O diretor-geral da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), Paulo Sérgio Luz, comemora os quantitativos e revela que, a cada 10 uvas consumidas à mesa dos brasileiros, nove foram cultivadas no Vale do São Francisco. “A produção naquela região se expandiu a tal ponto que, em Casa Nova, por exemplo, é difícil encontrar trabalhadores para colher as uvas. Falta mão de obra”, explica o gestor.
A reformulação dos processos de governança da ADAB nos três últimos anos, levou à otimização das fiscalizações e ao aumento do cumprimento de normas e diretrizes por parte dos produtores rurais do estado. Como consequência, as mudanças têm impactado, positivamente, no crescimento econômico da Bahia.
Recentemente, a Agência obteve reconhecimento internacional, ao receber a certificação ISO 9001:2015, chancelada pela ABS Quality Evaluations. A autarquia é a primeira no país a atingir esse status. “Há 4 anos, não conseguiríamos essa ISO. Nossa modernização foi fundamental para isso”, avalia Paulo Sérgio Luz. Em 2023, ele recorda, em auditoria feita pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para liberar a Bahia da vacina da febre aftosa, a nota foi 2,8. Depois que o governador Jerônimo Rodrigues autorizou que fossem implementadas todas as solicitações do Mapa, a avaliação saltou para 9,7, a maior graduação do Brasil.
Para ser içada à certificação, a ADAB teve que atender a um rol de exigências. Os blocos de papel em três vias e carbono que os fiscais utilizavam nas inspeções ficaram no passado e foram adquiridos 250 tabletes, 50 notebooks e 600 computadores. E mais. Houve a renovação da frota de veículos; concurso público (com vagas para 80 agrônomos, 80 engenheiros agrônomos e 40 técnicos em Agronomia); nova plataforma para rodar os processos administrativos; reforma dos postos de fiscalização e escritórios; dentre outras benfeitorias.
Padronização com qualidade
Cada um dos 27 territórios baianos possui características específicas, inerentes aos seus aspectos climáticos, geográficos, históricos e culturais. Para a coordenadora de Desenvolvimento Institucional da ADAB, Ivana Ramacioti, a ISO está ‘atenta’ a isso. “O que fazemos é, justamente, promover qualificação, com o procedimento feito da mesma maneira, seja no Extremo-Sul, Extremo-Norte ou no Extremo-Oeste do estado. Dessa forma, pequenos produtores conseguem elevar o nível de competitividade em relação aos demais”, analisa.
Ivana Ramacioti também ressalta que, quando se oferece o mesmo serviço ao grande e ao pequeno produtor, este último entende o quão possível é crescer. “A ADAB tem contribuído muito para o desenvolvimento da agropecuária no estado. Nós, colaboradores, devemos potencializar o que há de positivo e melhorar o que for preciso, em diálogo constante com quem produz no campo. A ISO 9001 é uma construção coletiva, consequência do governo de Jerônimo, que prima pela qualidade do serviço oferecido ao cidadão”, diz.
“Ao elevar a qualidade e a eficiência dos serviços de defesa agropecuária, a certificação ISO 9001 da ADAB fortalece o pequeno produtor, amplia a segurança alimentar, promove desenvolvimento regional e contribui para a redução das desigualdades sociais na Bahia”. A afirmação é da assessora chefe de Planejamento Estratégico da ADAB, Tâmara Teles, que atuou na linha de frente para a obtenção da premiação. Ela pondera ainda que, na prática, as desigualdades sociais são mitigadas com o fortalecimento da agricultura familiar, geração de oportunidades de crescimento econômico, transparência e eficiência no uso dos recursos públicos.
Pesquisa recente do IBGE revela que a Bahia alcançou, em 2025, o menor índice de desigualdade social já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). O Índice de Gini da renda domiciliar caiu de 0,470 para 0,466, consolidando, durante a gestão de Jerônimo, a maior redução da desigualdade no estado nos últimos anos.
Marco
Soteropolitana, a presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Ana Elisa Almeida, comemora a ISO 9001:2015. “A conquista representa um marco, não apenas para a defesa agropecuária da Bahia, mas também para todo o sistema agropecuário brasileiro. É um reconhecimento que evidencia o compromisso da Agência com a qualidade, a eficiência dos serviços prestados e a adoção de processos cada vez mais seguros, transparentes e alinhados às melhores práticas de gestão”, assegura.
Para a presidente do CFMV, em um estado com forte protagonismo no agronegócio, fortalecer a defesa agropecuária é fortalecer a sanidade animal, a segurança dos alimentos, a sustentabilidade da produção e a credibilidade dos produtos baianos nos mercados nacional e internacional.