A Operação Merenda Digna, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (21), abriu a primeira grande crise do governo do prefeito Valderico Júnior (UB) em Ilhéus.
A investigação apura supostas irregularidades na contratação emergencial da merenda escolar. Segundo a PF, há suspeitas de direcionamento, conluio entre empresas e sobrepreço estimado em mais de R$ 1,7 milhão, em um contrato de aproximadamente R$ 15,5 milhões.
A denúncia teria partido do vereador Vinícius (UB), que rompeu com a gestão e apontou suspeitas na compra da merenda. Nos bastidores, a avaliação é que Valderico errou ao não medir as consequências políticas desse rompimento.
Vinícius tem peso nas redes sociais, sabe produzir desgaste público e, por ser policial rodoviário federal, conhece os caminhos da fiscalização e da investigação.
O episódio também deixa uma lição para qualquer governante: é preciso se cercar de pessoas que tenham coragem de fazer críticas, e não apenas de aliados que elogiam tudo. Governo que só escuta aplauso costuma ser surpreendido pelo barulho da crise.
A Prefeitura de Ilhéus reagiu em nota, negou irregularidades, disse que a denúncia tem “cunho político” e afirmou que colabora com as investigações.
Mesmo assim, o estrago político já está posto. Valderico Júnior terá que administrar sua primeira crise de grande repercussão justamente em uma área sensível: a alimentação dos alunos da rede municipal.