O Poder Legislativo de Buerarema esteve, na noite da última terça-feira (12), na comunidade de Dona Esther, região do Santana, em mais uma sessão itinerante. Conduzido pelo vice-presidente da Casa, vereador Joabson Kinho, o encontro reuniu o prefeito Gel da Farmácia, a vice-prefeita Thaiane Pereira, os vereadores e seis secretários municipais — uma articulação institucional rara, que reforça o caráter integrado das ações entre os Poderes Executivo e Legislativo.
As sessões itinerantes passaram a ser obrigatórias após alteração regimental aprovada pela Casa, que determina a realização de, no mínimo, dois encontros descentralizados por ano. A medida atende a uma diretriz de aproximação entre o parlamento municipal e os territórios mais distantes do centro urbano, especialmente as comunidades rurais que historicamente enfrentam limitações de acesso aos serviços públicos.
A noite foi marcada pela ampla participação popular. Moradores das regiões de Dona Esther, Santana, Santaminha, Ronca, Serra das Trempes, Pedrosa, Fortuna, Rompedeira, Recife, Cajazeira e Rio Cipó, entre outras, ocuparam a tribuna e apresentaram um diagnóstico realista das condições da zona rural.
Entre as principais pautas levantadas estiveram a recuperação das estradas vicinais — tema dominante das falas e considerado prioridade pela população, dado seu impacto direto no escoamento da produção agrícola, no transporte escolar e no acesso à saúde —, a reforma da ponte do Santana, o abastecimento de água em comunidades com poços profundos, o fortalecimento da agricultura familiar, a continuidade do programa habitacional e a ampliação dos serviços de saúde em territórios afastados.
Mais do que um espaço protocolar, a sessão funcionou como instrumento efetivo de escuta. Lideranças comunitárias, agricultores e moradores antigos da região apresentaram, com clareza técnica e conhecimento de causa, as fragilidades da infraestrutura local e as soluções viáveis a partir da realidade que vivenciam diariamente. Esse tipo de contribuição, que dificilmente chegaria com a mesma profundidade ao gabinete, mostrou-se decisivo para que os vereadores e o Executivo pudessem dimensionar com precisão a urgência de cada demanda. A escuta direta, nesse sentido, deixou de ser símbolo e passou a operar como ferramenta de planejamento.
Como desdobramento concreto da sessão, a Câmara saiu de Dona Esther com encaminhamentos objetivos:
– O vereador Roque Borges anunciou que apresentará projeto de lei para reconhecer oficialmente Dona Esther como povoado do município, com a denominação da via principal em homenagem à saudosa Dona Esther (Celina Macedo de Lima). A medida, segundo o parlamentar, facilitará o acesso da localidade a políticas públicas estaduais e federais.
– A vereadora Neide de Adelson protocolou indicação para implantação de atendimento itinerante de saúde na região, com periodicidade de 60 a 90 dias, levando equipe multiprofissional às comunidades — incluindo médico, dentista, vacinação, renovação de receitas e ações de planejamento familiar.
– O Executivo confirmou a chegada, ainda neste mês, de duas novas caçambas para reforço da patrulha mecanizada, viabilizadas por emendas parlamentares já licitadas. O equipamento é considerado estratégico para acelerar a recuperação das estradas rurais e ampliar o transporte de cascalho.
– O prefeito Gel da Farmácia também sinalizou disposição para revisar, junto à comunidade, o cronograma de obras na zona rural, contemplando os trechos mais críticos apontados durante a sessão.
A sessão em Dona Esther reforça uma prática que tende a se consolidar como marca da atual legislatura: levar o parlamento até o cidadão. Para a Câmara, o resultado vai além do registro formal das demandas — trata-se de um modelo de atuação em que a proximidade com a base substitui a distância dos gabinetes e gera resposta institucional verificável. Para a comunidade, fica a sensação concreta de ter sido ouvida — e, sobretudo, a expectativa legítima de que a escuta se converta em obra, em política pública e em transformação real do território.