A reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) – hoje batizada de Acelen, empresa pertencente ao Grupo Mubadala, dos Emirados Árabes –, é considerada estratégica para o Brasil alcançar a autossuficiência na produção de diesel, gasolina, querosene de aviação, entre outros combustíveis, segundo a avaliação do coordenador licenciado da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP) Deyvid Bacelar, que é pré-candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

“Hoje a Bahia está pagando o valor mais caro do Brasil pelos combustíveis devido à privatização da RLAM”, sustentou Bacelar. “O grupo Mubadala comprou a refinaria durante o governo Bolsonaro por menos da metade de seu valor de mercado, que à época era de U$3,8 bilhões de dólares”, informou.

Conversas de bastidores indicam que as negociações entre a Petrobras e os Emirados Árabes não estão avançando porque o Grupo Mubadala estaria agora pedindo um valor estratosférico para devolver a refinaria ao estado brasileiro.

“As negociações foram retomadas. Temos ciência de que há uma equipe da Petrobras visitando a refinaria desde a semana passada, fazendo um processo de avaliação dos ativos para que um novo valor seja estabelecido pela própria Petrobras”, informou.

Segundo Bacelar, as negociações não envolvem somente a refinaria em si, mas também a recompra de três terminais terrestres (Jequié, Itabuna e Candeias) e o Terminal Marítimo de Madre de Deus (Temadre), além de 700 quilômetros de dutos que interligam todo o sistema logístico que abastece o mercado baiano.

Deyvid avaliou que, devido ao fato de a refinaria ter sido vendida por US$1 bilhão e 800 mil dólares, “é óbvio que a Petrobras não vai querer pagar um valor maior do que aquele que recebeu”. Mas disse esperar que essa negociação seja concluída o mais breve possível, uma vez que a presidente da Petrobras Magda Chambrird afirmou que o negócio será feito caso seja bom para a Petrobras. “Claro que é um bom negócio visto que a Bahia tem o maior mercado de combustíveis do Norte e Nordeste do País”, defendeu Bacelar.

O presidente Lula já declarou em entrevistas recentes que a refinaria Landulpho Alves será recomprada. “Se o presidente já declarou essa intenção, cabe ao ministro das Minas e Energia (Alexandre Silveira) e à presidente da Petrobras fazer com que o processo de recompra ocorra o mais rápido possível para o bem da Bahia e do Brasil”, ressaltou.

Questionado sobre o que teria trazido mais impacto no bolso da população baiana, a venda da refinaria ou a venda da BR Distribuidora, Deyvid Bacelar respondeu que Bahia acabou recebendo um pacote maior de maldades, visto que as refinarias da Petrobras estão conseguindo conter os aumentos dos combustíveis ao logo dos últimos acontecimentos relacionados com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

“A Acelen já aumentou seis vezes o preço do diesel desde o início do conflito. O diesel saltou de R$3,63 para R$6,6 na Bahia, enquanto no restante do país, onde há refinarias da Petrobras, o preço subiu de R$3,32 para R$3,38. Quando somamos esses aumentos da Acelen às correções também praticadas pela BR Distribuidora, também privatizada, e pela Liquigás, que também não pertence mais ao estado brasileiro, a gente percebe que a Bahia está sofrendo mais do que os outros estados. A gasolina e diesel aqui estão custando R$8,00”, apontou.

“No restante do país o diesel está na casa dos R$7 e a gasolina na casa dos R$6,00”.