Enquanto o morador de Itapetinga se vira para pagar feira, gasolina e conta de luz, nos bastidores da Câmara Municipal avança uma proposta que, se confirmada, deve ampliar o desgaste da Casa com a opinião pública.

Circula entre vereadores e servidores um Projeto de Resolução que prevê a criação de um vale-refeição de R$ 2.500 para cada um dos 15 parlamentares do município. Traduzido em números, o novo mimo custaria R$ 450 mil por ano aos cofres públicos.

O detalhe que mais chama atenção é que o benefício não viria sozinho. Ele se somaria ao já conhecido vale-combustível de R$ 1.500, elevando para R$ 4 mil mensais o total de penduricalhos por vereador — isso sem contar o salário de R$ 13,4 mil já pago aos edis.

Nos corredores da própria Câmara, a movimentação já é vista com constrangimento. Há quem classifique a proposta, em reservado, como “pura sacanagem”. E não é difícil entender o motivo: em uma cidade onde a maioria da população convive com orçamento apertado, a criação de novas vantagens para a classe política tende a ser recebida como deboche.

Além do desgaste político, o tema também flerta com insegurança jurídica. O Supremo Tribunal Federal já deu sinais claros de que benefícios dessa natureza não podem ser tratados como liberalidade administrativa, sobretudo quando descolados do interesse público e cercados por dúvidas quanto à legalidade.

Se a proposta prosperar, a Câmara de Itapetinga corre o risco de transformar auxílio em escândalo — e o almoço dos vereadores em uma conta indigesta para o contribuinte.