A oposição na Bahia está assistindo de camarote — e, claro, com pipoca — ao embrolio que virou a escolha do vice na chapa do governador Jerônimo Rodrigues. No grupo de ACM Neto, a torcida é para que, contrariando o ditado, o raio caia duas vezes no mesmo lugar.

A lógica é simples: se no episódio do senador Ângelo Coronel o tabuleiro já tremeu, agora a expectativa é repetir o enredo com um ingrediente a mais. O MDB, que se sente fritado em praça pública por setores do governo — com dedo em riste do ministro Rui Costa — virou, de novo, peça cobiçada no xadrez.

E como sonhar não paga imposto, o plano desenhado nos bastidores tem verniz de “jogada de mestre”: atrair o MDB, entregar a Coronel a chance de uma candidatura com a estrutura do partido, somar tempo de TV e ainda acenar para o MDB nacional com a promessa de “ganhar” um senador no pacote.

De quebra, na conta da oposição, viriam os efeitos colaterais desejados: com Coronel e seus filhos orbitando a mesma engrenagem, seria possível montar uma nominata mais competitiva para deputado estadual e federal — e, de lambuja, acomodar interesses de aliados, como o Avante, que também olha a cena com apetite.

Por enquanto, é tudo expectativa. O roteiro está escrito a lápis — e a política baiana tem o hábito de apagar e reescrever na última hora.

Agora, é esperar o tempo. E ver se, desta vez, o sonho vira realidade — ou se fica só na arquibancada, aplaudindo o caos do adversário.