Zé Cocá entrou de vez no cardápio de ACM Neto. O prefeito de Jequié, que já vinha reclamando da demora das obras prometidas por Jerônimo Rodrigues, passou a ser tratado na oposição como nome com tamanho para mais do que um simples apoio: pode virar vice ou, numa solução alternativa, disputar mandato de deputado federal.

O prefeito diz que só bate o martelo no fim de março. Mas, perto dele, a conversa é outra: antes de anunciar qualquer movimento, Cocá quer saber qual será seu lugar no grupo de ACM Neto caso a oposição perca a eleição. Em resumo, não discute apenas 2026 — discute sobrevivência política depois dela.

No entorno de Jerônimo, o incômodo é evidente. O governo trabalhou para atrair Zé Cocá, chegou a admitir publicamente o interesse em tê-lo por perto e até ventilou seu nome na própria disputa da vice. O problema é que, enquanto o Palácio oferecia acenos, o prefeito seguia cobrando entregas concretas para Jequié — sobretudo obras estruturantes, com destaque para o aeroporto regional.

A temperatura subiu de vez quando Jorge Solla chamou Cocá de “traidor” em mensagens de WhatsApp. O ataque escancarou o que o governismo tentava esconder: a irritação com a possibilidade real de ACM Neto arrancar de Jerônimo um apoio que o governo tratava como estratégico no interior.

Se Zé Cocá atravessar a rua, não será apenas uma adesão. Será uma derrota política com endereço, CEP e simbolismo. E, pelo andar da carruagem, na hora em que a onça beber água, o QG de Jerônimo pode descobrir que gastou energia demais para segurar um aliado que já estava olhando para o outro lado.