O deputado estadual Luciano Araújo decidiu acelerar uma aproximação do Solidariedade com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Na política baiana, esse tipo de movimento costuma ser vendido como “alinhamento institucional”. Tradução: onde estiver o poder, é pra lá que o partido quer estacionar.
Só que o Solidariedade não é uma embarcação estadual. Tem comando nacional, interesses nacionais — e, principalmente, gente com peso em Brasília. É aí que a conversa muda de tom.
Nos bastidores, voltou a circular a tese de que a direção nacional poderia “puxar o freio de mão” e empurrar a legenda de volta para o campo de ACM Neto (UB), repetindo o desenho de 2022, quando o partido esteve com o ex-prefeito de Salvador.
O ingrediente que dá tempero a essa novela tem sobrenome: Cedraz.
O ministro do TCU Aroldo Cedraz deve se aposentar “depois do Carnaval”, segundo reportagens recentes, abrindo espaço para especulações sobre seu retorno ao tabuleiro político.
E Tiago Cedraz, filho de Aroldo, integra a cúpula do diretório nacional do Solidariedade, o que naturalmente amplia o raio de interferência de Brasília sobre a Bahia.
Luciano Araújo, por sua vez, é sobrinho de Aroldo — e é aí que a delicadeza aparece: se o partido estadual tenta fincar os dois pés na base de Jerônimo, mas a nacional decide flertar com a oposição, sobra para ele administrar a contradição dentro de casa.
Para completar, o próprio Luciano se viu obrigado a se pronunciar hoje (10 de fevereiro de 2026) sobre boatos de que o Solidariedade estaria indo apoiar ACM Neto, negando articulações nesse sentido e reafirmando alinhamento com Jerônimo. Ou seja: a fumaça existe — e ele corre para dizer que não há incêndio.
No fim, a pergunta que interessa é simples: o Solidariedade vai ser base de governo ou base de conveniência?