Mais de R$ 4,1 milhões. Esse foi o valor arrecadado pela Prefeitura de Maiquinique apenas no mês de junho de 2025 — um recorde histórico para o município. Somente no dia 30 de junho, os cofres municipais receberam mais de R$ 1,3 milhão. Um volume milionário de recursos públicos que, na teoria, deveria se converter em melhorias e qualidade de vida para a população.

Mas a realidade vivida por quem caminha pelas ruas de Maiquinique está longe de refletir tamanha bonança. Pelo contrário: a cidade parece ter mergulhado num estado de abandono, negligência e retrocesso.

Buracos tomam conta das vias, esgotos escorrem a céu aberto, postos de saúde operam em estado precário e prestadores de serviço relatam atrasos de pagamento. A rede de assistência social, essencial em tempos de vulnerabilidade, encontra-se sufocada e sem estrutura mínima de atendimento.

Diante de tanto dinheiro entrando, a pergunta ecoa nas esquinas da cidade:

Para onde está indo tanto recurso público?

O que se vê, segundo moradores e lideranças locais, é um governo paralisado, sem transparência e sem prioridades definidas. Em meio a denúncias de favorecimentos, contratos duvidosos e omissões, cresce a sensação de que a administração municipal já ultrapassou todos os limites da incompetência.

A arrecadação recorde não trouxe alívio para os serviços públicos, nem tampouco dignidade para a população. Trouxe, sim, indignação e desconfiança.

A justiça pode tardar, mas — como dizem nas ruas da própria Maiquinique — não falha. E a expectativa é de que os órgãos de controle e fiscalização ajam com rigor, porque onde há recurso farto e ausência de prestação de contas, há algo a ser investigado.

A cidade clama não só por obras, mas por verdade, justiça e decência na gestão pública.