Zé Cocá com Jerônimo no encerramento do São Joao.

Por mais que ainda não admita publicamente, aliados próximos garantem: o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), tem um nome preferido para compor sua chapa na disputa pelo governo da Bahia em 2026 — o atual prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP).

Interlocutores do núcleo duro de Neto afirmaram que ele considera a dobradinha com Cocá a mais estratégica para enfrentar o governador Jerônimo Rodrigues (PT), especialmente onde o petista é mais forte: o interior do estado. Em 2022, Jerônimo venceu em 364 municípios, contra 53 de Neto, uma lavada consolidada principalmente nas regiões rurais e nos pequenos municípios, onde o PT ainda mantém bases sólidas.

A leitura é clara: para enfrentar Jerônimo, ACM Neto precisa de um vice com capilaridade interiorana, e poucos nomes do grupo oposicionista têm esse perfil como Zé Cocá. O problema? O próprio Cocá.

Desde o início do ano, o prefeito de Jequié tem ensaiado uma reaproximação com a base governista, numa espécie de reconciliação silenciosa com o PT. O movimento segue a esteira de outros prefeitos que também se afastaram de Neto após 2022, insatisfeitos com a falta de atenção do ex-prefeito de Salvador ao interior depois da derrota eleitoral.

Na cúpula do PP baiano, o clima é de cautela. Há os que descartam um acordo entre Cocá e Neto. Mas há também quem enxergue a possibilidade como real, sobretudo por conta da federação partidária entre PP e União Brasil, o que poderia facilitar entendimentos mais amplos nos bastidores.

A verdade é que, por enquanto, o desejo de Neto ainda está no campo das ideias. Falta transformar o cenário de hoje — turvo, instável e repleto de tensões internas — em uma costura política viável. E isso, como se sabe, exige bem mais que vontade. Exige articulação.