No intricado jogo político baiano, Ilhéus tornou-se mais do que uma cidade estratégica do sul do estado — virou símbolo da disputa silenciosa entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). No centro desse tabuleiro está o prefeito Valderico Júnior (UB), que resiste, até aqui, a qualquer movimento que o afaste de seu padrinho político, mesmo diante de acenos insistentes vindos do Palácio de Ondina.

Segundo apuração do site, o “QG” do governador tem monitorado de perto os passos do prefeito ilheense. Já foram enviados recados, sinais e intermediários com um único objetivo: convencer Valderico a “baixar a guarda” e sentar à mesa com Jerônimo. A tese é simples: sem diálogo institucional, Ilhéus continuará com dificuldades para destravar obras de maior porte — e o desgaste recairá sobre o prefeito.

Em outra frente, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), também entrou em campo. Já participou de eventos ao lado de Valderico e mantém conversas pontuais, tentando abrir brechas na muralha que separa o prefeito do governo estadual. Até agora, sem sucesso. Valderico permanece irredutível, amarrado politicamente a ACM Neto, mesmo com a pressão crescente de lideranças locais e a frustração pela escassez de investimentos de peso.

Ciente do assédio, ACM Neto escolheu Ilhéus como o primeiro município a visitar nesta fase de pré-campanha. O gesto foi calculado. Mais que apoio, o ex-prefeito sinaliza que não pretende ceder terreno e que Valderico é peça-chave no xadrez oposicionista do sul baiano.

A disputa está posta. De um lado, o poder institucional, os recursos do Estado e a máquina do governo federal. Do outro, lealdade política, cálculo eleitoral e um prefeito encurralado entre o discurso da autonomia e a cobrança por resultados concretos. Ilhéus, que já foi palco de grandes reviravoltas políticas, pode novamente surpreender. Mas, por ora, Valderico segue onde sempre esteve — ao lado de ACM Neto, sob pressão e no centro do jogo.