A base de apoio do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), sofreu uma baixa estratégica e barulhenta. Nesta terça-feira (30), o PDT oficializou sua adesão ao governo Jerônimo Rodrigues (PT) e declarou apoio à reeleição do governador em 2026. A decisão, além de fortalecer a base petista, expõe uma fissura política que vinha se arrastando nos bastidores desde as eleições municipais de 2024.
O estopim da ruptura teria sido a filiação em 2024, da prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis, ao União Brasil — movimento articulado por ACM Neto sem diálogo prévio com a direção estadual do PDT, partido ao qual Débora era filiada na época. A situação causou forte mal-estar, especialmente porque Débora liderava as pesquisas e acabou eleita. O presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, não escondeu sua indignação com o episódio.
“‘A candidatura tem que ser do União, só pode ser do União’. O que significa isso? Que o União é mais importante que o PDT?”, questionou Félix em entrevista ao site OffNews, criticando duramente a postura hegemonista de ACM Neto. “Faltou respeito. Não fomos sequer comunicados da desfiliação. Soube pela imprensa. Isso não se faz com um partido aliado”, disparou o dirigente.
O movimento do PDT é considerado simbólico por analistas, pois representa um avanço importante do governador Jerônimo sobre antigos aliados de Neto no tabuleiro eleitoral baiano. A adesão do partido ao governo também pode abrir espaço para indicações em cargos estratégicos e fortalecer a presença pedetista em futuras disputas proporcionais.
A crise evidencia o desgaste das alianças firmadas em torno do União Brasil e aponta para um cenário de recomposição política mais difícil do que o esperado para o grupo de Neto. A perda do PDT, com Félix insatisfeito e vocal, é mais do que um revés.