Por João Matheus, Analista Político

A eleição deste ano em Itabuna representa uma virada histórica no cenário político local, sendo a primeira desde 1977 sem a presença marcante do ex-prefeito Fernando Gomes, falecido em 2022. Gomes, com seu estilo carismático e populista, dominou a política da cidade por décadas. Contudo, com sua ausência, a eleição trouxe à tona novas dinâmicas de poder, consolidando Augusto Castro (PSD) como a principal liderança regional.

Augusto Castro, atual prefeito, não apenas garantiu sua reeleição, mas também mostrou sua capacidade de articular forças políticas regionais e se projetar como o grande nome do sul da Bahia. Sua vitória transcende o campo eleitoral, marcando o início de uma transição de poder, onde nomes da política itabunense como Geraldo Simões, Renato Costa e Maria Alice perderam espaço. Esses veteranos, outrora protagonistas de grandes embates eleitorais, foram, de certa forma, aposentados pelos novos ventos que sopram na cidade.

Entre as derrotas mais significativas, está a do atual vice-prefeito, Guinho. Em vez de usar sua posição para construir uma trajetória sólida e estratégica, Guinho parece ter sido vítima de sua própria vaidade, buscando o holofote em detrimento de um trabalho mais cauteloso e articulado. Seu insucesso em se reeleger sequer como vereador é um indicativo claro de que sua popularidade e relevância política precisam de uma urgente reinvenção, se ele quiser voltar a ter espaço de protagonismo.

Outro nome que teve um desempenho aquém das expectativas foi o do Capitão Azevedo. Ex-prefeito, Azevedo se notabilizou por sua hesitação em assumir posições firmes em momentos cruciais, algo que sua base eleitoral tradicionalmente critica. Esse comportamento de “covardia política”, como muitos observadores classificam, mais uma vez lhe custou caro, colocando em xeque seu futuro político.

Já o deputado Pancadinha, que havia entrado na eleição com uma grande expectativa de ampliar seu capital político, acabou sofrendo o que popularmente chamamos de “voo de galinha” – decolou, mas rapidamente perdeu altitude. Sua inexperiência ficou evidente, e ele saiu da eleição menor do que entrou. Dificilmente conseguirá, com esse cenário, uma reeleição em 2026 sem uma profunda reformulação de sua atuação.

Os candidatos Chico França e Isaac também não saíram ilesos. Com uma postura agressiva durante a campanha, eles perderam capital político e influência. Ambos terão que repensar suas estratégias, caso queiram continuar competitivos no cenário local.

Enquanto isso, Augusto Castro deu uma verdadeira aula de política. Com habilidade, soube unir diferentes segmentos, construindo alianças importantes que não apenas garantiram sua reeleição, mas o catapultaram como um nome forte não só para Itabuna, mas para toda a região sul da Bahia. Seu segundo mandato promete ser ainda mais estratégico, com a possibilidade de canalizar recursos estaduais e federais para grandes obras estruturantes, o que deve solidificar ainda mais sua imagem de gestor eficiente.

Em resumo, a eleição deste ano em Itabuna não foi apenas sobre a escolha de um novo prefeito, mas um divisor de águas no cenário político local. Uma era se encerra com a saída de cena de figuras icônicas, e uma nova liderança emerge, pronta para moldar o futuro da cidade e da região.

João Matheus é Analista Político, diretor do site “Políticos do Sul da Bahia” , apresenta o programa de rádio Frequência Política e é comentarista político do programa Difusora em Revista.