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A PRESENÇA DO CACAU-CABRUCA E DA CEPLAC NA RIO+20

Mariana Benedito Pereira Lima*

O futuro da humanidade passa pela luta em defesa da preservação ambiental. Na região sul da Bahia, os políticos e agricultores deram, no dia 30 de março, um salto de qualidade e um atestado de maturidade, ao atender ao chamamento da Ceplac para debater um tema tão atual quanto importante: a cabruca, um sistema preservacionista de cultivo de cacau que em dois séculos e meio mostra ao mundo que é rentável em termos econômico, além de viável em termos administrativo e preservacionista. Ao apostar no sistema cabruca, a economia cacaueira criou um ambiente propício para retomar o seu desenvolvimento socioeconômico.

A realização do seminário “Conservação Produtiva”, no auditório do Centro de Pesquisas do Cacau, foi um marco na agricultura baiana. Autoridades, agricultores, empresários, técnicos e pesquisadores participaram do encontro, organizado em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz, Ministério Público do Estado da Bahia, Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Central Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), Fundação Pau Brasil, Núcleo Mata Atlântica e Centro de Desenvolvimento Agroambiental e Cidadania. Prefeitos, deputados e especialistas em cacau e meio ambiente também estiveram presentes e trocaram informações técnicas sobre a preservação da Mata Atlântica a partir do sistema cacau cabruca.

Assistimos a três excelentes palestras, a primeira apresentada pelo engenheiro florestal da Ceplac, Dan Erico Lobão, que fez uma exposição sobre “Conservação Produtiva: Dinâmica do equilíbrio natural e sócio-produtivo do agroecossistema cacaueiro”. Em seguida, foi a vez do tema “Conferência Internacional Rio+20”, tendo sido palestrante o assessor da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo Ministério da Agricultura, Kleber Souza dos Santos. Por fim, o diretor geral da Companhia de Ação Regional da Bahia (CAR), Vivaldo Mendonça, proferiu palestra sobre “Financiamentos do Banco Mundial para Planejamento e Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável”.

Num momento, os expositores propuseram um novo desafio, que é a revitalização da economia cacaueira, com base na conservação produtiva. O cacau é uma cultura preservacionista e a Ceplac está empenhada em evidenciar a importância da lavoura na preservação da biodiversidade nos biomas Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Como bem lembrou o engenheiro florestal Dan Lobão, a conservação produtiva é um modelo de agricultura baseado na cabruca, sistema de produção de cacau que preserva a Mata Atlântica baiana. É este processo que o diretor regional da Ceplac, Juvenal Maynart, com apoio das lideranças regionais, pretende levar até o Rio+20 e a partir dele transformar num termo de referência que apresentaremos para o Banco Mundial.

Na Rio+20, que acontecerá de 13 a 22 de junho deste ano, no Rio de Janeiro, autoridades mundiais vão discutir temas como economia verde, erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável. Será a oportunidade para o cacauicultor baiano mostrar competência política. Basta ele se unir e se organizar, apoiar com maturidade, equilíbrio e seriedade, a participação da Ceplac nesse grande encontro internacional, e fazer com que o tema entre na ordem do dia mundial, no ano do centenário de nascimento do escritor baiano Jorge Amado.

Chegou a hora das autoridades do sul da Bahia criarem um plano de marketing para atrair o olhar dos empreendedores e investidores internacionais para a nossa região. É o momento de se buscar grandes parceiros empresariais, justamente quando o Governo Federal anuncia a implantação de projetos como Complexo Intermodal, Porto Sul, Gás Natural, criando novos vetores de desenvolvimento. Dar um novo impulso à economia regional, no ano em que está sendo implantada a nossa Universidade Federal que, juntamente com a Universidade Estadual de Santa Cruz, e sob a liderança da Ceplac, com certeza, irá promover uma profunda mudança administrativa, econômico, político e social em nosso meio.

Em termos de presente e futuro, a Ceplac, que este ano completou 55 anos de fundação, e tanto promoveu em defesa lavoura cacaueira fez sua parte como principal órgão federal da região. Mas, que a sua proposta seja reconhecida e traga bons resultados, é preciso que a sociedade sulbaiana esteja presente na Rio+20, a conferência que vai dizer que o mundo irá fazer nas próximas décadas, em termos de qualidade de vida. É necessário que os políticos estejam organizados e tenham sensibilidade, e os cacauicultores, por meio de suas entidades (CNPC, APC, IPC, Instituto Cabruca e Sindicatos Rurais), estejam dispostos a participar dessa empreitada.

Por isso, com apoio da Imprensa e também dos empresários urbanos, o cacau-cabruca e a Ceplac poderão ser destaque na Rio+20. Mas o seu sucesso depende apenas da união e da competência de todos habitantes das regiões produtores de cacau do Brasil, em especial a baiana.

_________
*Graduada em Administração pela Uesc-Universidade Estadual de Santa Cruz; autora da Monografia “Marketing Verde: Ferramenta de inovação e efeitos no comportamento do consumidor”.

4 respostas para “A PRESENÇA DO CACAU-CABRUCA E DA CEPLAC NA RIO+20”

  • Regivana says:

    Muito pertinente o artigo, e valioso para todos que direta ou indiretamente dependem dessa cultura que muito já deu lucros anteriormente a todos dessa região! Parabéns querida!

  • Indignado says:

    Estão descobrindo a pólvora agora!
    “Ao apostar no sistema cabruca, a economia cacaueira criou um ambiente propício para retomar o seu desenvolvimento socioeconômico.” Francamente a vida toda foi plantado cacau no sistema cabruca, o único momento que houve um desvio foi quando Paulo Alvim para estimular a venda de Adubos fez recomendação de derruba total. Assim mesmo logo retornou a ideia anterior.Cabruca é uma prática que ajudou a perpetuar a cacauicultura, hoje tendem a dizer que é o instituto cabruca, ong esperta, quer adotar como se fosse uma luta deles para se projetar no cenário de bons moços. A vida toda desde o tempo do meu avô já praticavamos a pratica de cabrucar a mata para plantar o cacau.

  • Sr Agnaldo Santos says:

    Achei muito interessante esta reportagem que vem para dar um grande avanço no desenvolvimento socioeconômico da nossa Região..para ser destaque na Rio+20.So não entendi a “foto” desta enquete que deveria ser uma foto institucional ao que de fato se refere que vem a ser ralacionada por vários órgãos como a Ceplac,UESC, e tantos outros a serem citados poderia ser uma foto bem mais criativa não uma foto aparentimente artística!

  • Julinho de Adelaide says:

    Bela reflexão, parabéns. Mas me permita algumas considerações:

    O produzir em harmonia com a mata atlântica sempre foi a maneira de conviver com a natureza, desde que os sergipanos aqui chegaram abrindo cabrucas, convivendo com seus duendes e produzindo cacau nesse ex eldorado, e através dele contando histórias pelo mundo.

    Isso, mesmo a despeito da propria CEPLAC, que um dia inteligentemente fôra criada para salvar a economia cacaueira, e o fez muito bem, ter, através do PROCACAU, tempos depois, incentivado através do finaciamento fácil do Banco do Brasil a derruba total de matas em recuperaçao, -chamadas de capoeiras- e às vezes matas primarias, para implantaçao com sombreamento provisório de banana e o definitivo com Eritrina, planta exótica ao meio, de novas áreas, em detrimento da renovação maciça áreas existentes.

    Mas temos que louvar essa mudança de rumo da CEPLAC, mas não esqueçamos de uma conquista muito importante nesse retorno será o reconhecimento financeiro, e portanto garantidor, que esse projeto proporcionará ao produtor, daquilo que está acima do solo da fazenda, a Mata Atlantica dele, daquele que preserva e será responsavel pela sua conservação, produzindo também cacau sob ela.

    Com isso e mais novos financiamentos para esse tipo de produção, poderemos retornar ao eldorado de antanho.

    Agora, tal qual deixou claro no excelente artigo a administradora Mariana, sem união politica, e não é só dos que tem mandato, mas principalmente a sopa de letras de entidades representativas do cacau, em torno desse projeto, a vaca vai pro brejo.

    Vida Nova a CEPLAC!!!!!!

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