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SER SOLIDÁRIO! QUE BICHO É ESSE?


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Estava lendo a crônica de Marta Medeiros “O Café do Próximo” relatando o feito de uma livraria no Rio de Janeiro que tem a prática de um cliente, que queira, deixar pago o café do próximo cliente. A autora conclui dizendo: “Mas de uma coisa não tenho dúvida: esse exemplo pequeníssimo de boa vontade terá que um dia ser ampliado por todos nós. Vai ter uma hora em que a gente vai ter que parar de blá, blá, blá e fazer alguma coisa de fato. Ou a gente estende a mão pro tal do próximo, ou o próximo vai continuar exigindo o dele com uma faca apontada pra nossa garganta”.

Ao ler isso fiquei pensando: Será, de fato, que estamos na era da solidariedade? Será que as pessoas compreenderam qual é o papel delas no contexto social? Creio que não.

Vivemos em uma sociedade que se acostumou com os benefícios verticais, com isso o Estado tornou-se o braço forte que vai me sustentar e tem a obrigação de mudar a realidade em que vivo.

Mas, quem é esse Estado? Ora, esse Estado sou eu na minha forma institucional, fui eu quem o criou, sou eu que o administro, sou eu que o comando, sou eu que digo o que deve fazer. Então porque eu também não faço a minha parte? Porque sempre estamos esperando que alguém faça alguma coisa. Onde está nosso espírito de solidariedade? Porque sempre repetimos os mesmos erros e elegemos os membros sociais que nada fazem ou fazem errado?

A nossa constituição diz em várias passagens “É dever do Estado e da Sociedade…” Então cadê essa sociedade que não realiza, mas critica?

O Estado não é o responsável, exclusivo, pelas mazelas sociais, pois nós, como membros sociais, somos responsáveis quando não mudamos essa realidade. Quando não usamos de pequenos gestos como o do cafezinho para ajudar alguém. O processo de mudança não acontece, apenas, com grandes feitos, mas as pequenas ações são capazes de alterar para melhor a nossa vida e dos nossos pares.
O mundo pede mais alteridade para com o próximo, pois cada um de nós é responsável pelo bem-estar do outro. Podemos sim, alcançar um mundo possível, um mundo no qual a riqueza do planeta não esteja concentrada nas mãos de, somente, 400 famílias e que um dia a faca que é empunhada para nos agredir, seja uma mão amiga para nos levantar.

Valéria Ettinger
Professora universitária
lelaettinger@hotmail.com

6 respostas para “SER SOLIDÁRIO! QUE BICHO É ESSE?”

  • Antonio says:

    Um texto Brilhante! mas para que alguma coisa boa, comece a acontecer em nosso planeta não precisamos necessariamente tá pagando o cafezinho do próximo (simbolicamente é claro)
    bastaria apenas que fizessemos nossos deveres de casa, ou seja:
    DEIXAR O LIXO NO LOCAL IDEAL.
    NÃO DIRIGIR EMBRIAGADO.
    NÃO USAR AS VAGAS PARA DEFICIENTES.
    NÃO FURAR QUALQUER TIPO DE FILA, e por aí vai, nós mesmo nos orgulhamos tanto do nosso jeitinho brasileiro, quem mais reclama de tudo e de todos são nossos intelectuais, mas são justamente eles que querem ter o direito de fumar em locais públicos, eles também, assim como os políticos corruptos tão sempre dando um jeitinho de usar nosso tão suado dinheirinho atraves da tal lei Rouanet, e ainda com as caras mais cínicas dizem que é legal, o uso desse dinheiro por artistas consagrados como a Betania, Ivete e muitos outros aproveitadores, mas não deixa de ser “IMORAL”, e é num país desse donde pessoas que se dizem cultas são curtas em matéria de carater, pessoas que deveriam deixar bons exemplos fazem coisas desse tipo, ora me deixe viu, nossa situação não tem nada a ver com distribuição de renda e sim nos falta é muita vergonha na cara isso sim.

  • sonia leal says:

    Parabens Valéria pela maneira inteligente que vc falou de nosso papel nesse mundo de hoje de tão pouco solidariedade real,vamos sair do imaginário e fazer ações de real valor humanitário.

  • J.Reis says:

    A professora, com o devido respeito, mistura alhos com bugalhos ao minimizar os deveres do Estado quando os compara com a solidariedade cidadã. O Estado não deve ser poupado e sim instado veementemente a cumprir seus compromisss constitucionais mesmo quando expressamos qualidades de bons e altruistas cidadãos brasileiros.

  • Disse tudo, professora. Também penso que apenas esperar pelos gestos espontâneos dos governantes é um equívoco que atrasa o progresso de nossa sociedade. Realmente, cada um precisa se conscientizar de sua responsabilidade e fazer sua parte. Limitar-se a votar e criticar, sem assumir nenhum outro papel relevante para o coletivo, é muito pouco para um povo que almeja ser civilizado.

  • Oscar Alho says:

    O BOZO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Luciano Almeida says:

    Adorável Professora, concordo plenamente contigo.
    Pois a sociedade hodierna confunde políticas públicas com políticas governamentais, olvidando do seu papel na construção de uma sociedade livre, justa e igualitária.
    A sociedade que esperamos, jamais será efetivada enquanto ficarmos estáticos, esperando um milagre divino: O Estado cumprir suas funções típicas.
    É hora de despertar para as questões sensíveis da sociedade: drogas, prostituição, desemprego, corrupção, etc. são algumas das questões que o Estado por si só jamais conseguirá lograr êxito sem o apoio da sociedade.
    Existe uma fórmula para combater as grandes mazelas: a minha, a sua, a nossa participação ativa na construção da sociedade que desejamos.

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