Em sua edição desta sexta-feira (12), o jornal O Globo traz uma matéria que afirma que “integrantes do PL baiano resistem à possibilidade de fazer campanha por ACM Neto (União) na corrida pelo governo estadual. O grupo argumenta que não deve pedir voto ao ex-prefeito de Salvador por não haver apoio dele ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pelo Planalto. O representante do carlismo optou por estar junto a Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial.
Ainda segundo O Globo, nos bastidores, há um acordo entre a equipe de ACM e os dirigentes do PL sobre a eleição baiana. Foi decidido que ACM apoiaria Caiado em um primeiro turno, mas haveria a possibilidade de uma união com Flávio no caso de um segundo turno do senador contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT tem o atual governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição — pesquisas recentes mostram um cenário de empate técnico entre o petista e o ex-prefeito de Salvador.
Há, no entanto, uma ala no partido que ainda pressiona o ex-prefeito a apoiar Flávio neste primeiro turno. O grupo contraria um pedido feito pela própria família Bolsonaro. Em maio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) confirmou apoio a ACM Neto e disse que não adiantaria “torcer o nariz” para a decisão. Nesta semana, Flávio foi a um evento do agronegócio no estado, onde busca um crescimento nas intenções de voto.
Apoio a ACM Neto não é automático
Raíssa Soares, que disputou o Senado em 2022 e é pré-candidata à Câmara neste ano, afirma que o apoio da direita a ACM Neto “não é automático”. Conhecida pela defesa do tratamento precoce durante a pandemia da Covid-19, a médica defende que a “libertação” da Bahia dos governos petistas “está a um diálogo de distância”.
— A vinda de Flávio Bolsonaro à Bahia mostrou que existe uma direita viva, mobilizada e pronta para entrar nessa batalha. Se ACM Neto quer o nosso apoio, precisa entender que apoio não é automático e que essa base não vai entrar numa campanha sem diálogo — afirma Soares.
Racha na direita baiana
Já o deputado estadual Diego Castro (PL) avalia que a agenda de Flávio no estado nesta semana “deixou o recado” de que “existe uma direita organizada no Nordeste, com força nas ruas e disposição para enfrentar o PT”.
— Acredito que ACM Neto tenha observado o quanto essa base está empenhada em vencer o nosso adversário comum — defende.
Por outro lado, o apoio à candidatura do ex-prefeito de Salvador, na atual configuração, é defendido pelo presidente estadual do PL, João Roma. O ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro integra a chapa de ACM Neto, disputando uma das cadeiras do Senado.
ACM Neto não foi
Na terça-feira, Flávio participou do Bahia Farm Show. O evento agrícola na cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA), um dos maiores produtores nacionais de soja, milho e algodão, não contou com a presença de ACM Neto.
O senador utilizou o evento para criticar o governo Lula, ao afirmar que a gestão petista trata o agronegócio como “fascistas” e “bandidos”.
— Vocês carregam esse Brasil nas costas e não merecem ter um presidente que trata o agro como se fossem fascistas, como se fossem bandidos. Isso tem dia e hora para acabar — afirmou Flávio, em seu discurso.