A cúpula do PL começou a tratar com mais cautela a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O motivo é o desgaste provocado pelas novas revelações sobre a relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo reportagem de O Globo, dirigentes do partido consideram os próximos 10 a 15 dias decisivos para medir o tamanho da crise. A preocupação é saber se novos fatos ainda podem surgir e se o caso terá força para comprometer a permanência de Flávio na disputa.

O incômodo aumentou depois que o senador admitiu ter visitado Vorcaro em São Paulo após a prisão do empresário, quando ele usava tornozeleira eletrônica. Flávio afirmou que o encontro serviu para encerrar tratativas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A visita também foi noticiada pelo Metrópoles, e o senador confirmou o encontro publicamente.

Nos bastidores, a explicação não pacificou o partido. Há parlamentares incomodados com o desgaste e cobrando mais clareza sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. O caso ganhou dimensão nacional após revelações sobre negociações de recursos para o filme, enquanto Flávio nega irregularidades e diz que se tratava de uma iniciativa privada.

Publicamente, o PL tenta demonstrar unidade. Reservadamente, porém, já há conversas sobre alternativas, caso a candidatura de Flávio se torne inviável. Entre os nomes lembrados nos bastidores estão Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina e Rogério Marinho.

A ordem agora é tentar conter o estrago. A equipe de Flávio deve antecipar pontos do plano de governo e ampliar agendas públicas para deslocar o foco da crise. O problema é que, em política, quando o assunto vira pergunta sem resposta, o relógio começa a correr contra o candidato.