A chegada de Ronaldo Caiado ao PSD não foi vista apenas como um movimento nacional. Pelo menos na leitura do analista político Victor Pinto, a filiação veio acompanhada de uma articulação de bastidor com ambição bem localizada: testar uma mudança no controle do diretório do partido na Bahia, hoje sob a liderança do senador Otto Alencar.

Segundo Victor, o movimento teria sido costurado com participação de aliados ligados à família Coronel, em uma tentativa de redesenhar o comando e o peso interno do PSD no estado — justamente no momento em que a legenda ganhou centralidade no xadrez de 2026.

O plano, no entanto, teria esbarrado no presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que “segurou a onda”. A avaliação é de que Kassab agiu por cálculo político, mas também por uma relação de confiança e gratidão com Otto, considerado um dos pilares históricos do PSD em território baiano.

Se a ofensiva não prosperou, o recado foi entregue. E Otto, segundo interlocutores, não é do tipo que deixa movimentação passar em branco. A promessa, agora, é de contra-ataque: reforçar o comando estadual, fechar o cerco interno e demonstrar, com gestos e decisões, que a Bahia não está em disputa — está sob controle.