No último sábado, o secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, participou do programa Frequência Política e foi direto ao comentar a fala do senador Otto Alencar (PSD), que criticou na imprensa a ideia de uma chapa “puro-sangue” do PT na Bahia.
Loyola adotou um tom conciliador, fez questão de registrar “grande respeito” por Otto e disse que o debate não deveria ser tratado como questão de “puro sangue ou não”. Para rebater a crítica, ele puxou uma retrospectiva de eleições estaduais e afirmou que a Bahia já teve diversas vitórias com chapas fechadas em um mesmo campo partidário, citando exemplos em diferentes ciclos e siglas ao longo das décadas, de Waldir em 1986 a Paulo Souto em 2002.
A linha de defesa, no entanto, veio na parte mais política do raciocínio: Loyola sustentou que o governo deve conversar com toda a base aliada para construir “a chapa mais competitiva” e indicou que, neste momento, não faz sentido fechar a composição.
“Temos três bons nomes para duas vagas ao Senado. Vamos sentar e dialogar com a base para formar a chapa mais forte. Vamos respeitar todos os partidos e não precisamos fechar chapa agora”, afirmou, ao reforçar a ideia de que o grupo quer evitar imposições e buscar uma construção negociada.
Na sexta-feira, Otto havia elevado o tom ao comparar a hipótese de uma chapa exclusivamente petista ao cenário de 2006, quando uma composição associada ao carlismo — à época, também vista como “puro-sangue” — acabou derrotada por Jaques Wagner.
Com a fala no rádio, Loyola tenta estancar o desgaste e, ao mesmo tempo, mandar um recado interno: a montagem da chapa majoritária seguirá no trilho da negociação, com a base à mesa e sem decisão antecipada.