No último sábado, o prefeito de Floresta Azul, Bambu (PSB), participou do programa Frequência Política e abriu o jogo sobre os bastidores do primeiro ano de governo. Questionado pelo analista político João Matheus sobre o maior desafio da gestão, o prefeito foi direto: a crise maior não foi administrativa — foi política.

“O maior desafio foi o político, já que rompemos com o grupo do ex-prefeito Garrafão. Antes da posse já percebi que o grupo não entendeu que o prefeito seria [eu], tentaram interferir em tudo e durante o governo teve o fogo amigo para tentar atrapalhar o governo. Mas seguimos nosso caminho e estamos com o nosso grupo fazendo o governo”, declarou.

A fala escancara o tipo de problema que não aparece em relatório: o “cabresto” que parte do grupo tenta colocar no eleito, a disputa por espaço e a sabotagem interna quando o ex-grupo não aceita perder o controle. Bambu pinta um cenário conhecido na política miúda: rompimento que vira guerra fria — e, muitas vezes, guerra quente.

Ao comentar como recebeu a Prefeitura, o prefeito voltou a elevar o tom e afirmou que herdou uma estrutura precarizada, especialmente na saúde.

“Pegamos a prefeitura com a saúde na UTI, com apenas dois carros. A situação encontrada não foi nada boa, mas vamos realizar uma auditoria para avaliar a gestão passada”, disse.

A promessa de auditoria, quando anunciada assim, em microfone aberto, costuma ter dois recados: um para dentro — organizar a casa com números — e outro para fora — deixar claro que a conta do passado pode ser cobrada.

Bambu ainda aproveitou a entrevista para agradecer o apoio dos deputados Paulo Magalhães (PSD) e Niltinho (PP), que, segundo ele, têm contribuído com articulações e suporte político ao município.