O cenário político de Camacã viveu uma reviravolta nos últimos dias. Em meio a uma grave crise financeira na Fundação Hospitalar de Camacã (FHC), o prefeito Paulo do Gás articulou a eleição de Gildo Batista — ex-secretário de Administração e aliado de ACM Neto e Jair Bolsonaro — para a presidência da instituição.

A decisão causou forte repercussão, já que o hospital é um dos principais equipamentos de saúde da região, referência em média e alta complexidade para dezenas de municípios do sul da Bahia. O FHC enfrenta salários atrasados, dívidas com fornecedores e prestadores de serviço, e vive uma situação que, segundo relatos, se tornou insustentável.

A eleição foi marcada por polêmicas. A atual gestão da Fundação foi acusada de excluir arbitrariamente José Valmiro — conhecido como Zé Valmiro — da chapa concorrente. Valmiro chegou a ser eleito em um sufrágio anterior, mas foi descartado, levantando suspeitas de manobras políticas nos bastidores.

Gildo Batista justificou sua candidatura alegando ser próximo do deputado federal Alex Santana, prometendo emendas parlamentares para tentar salvar o hospital. No entanto, o próprio Alex Santana já anunciou publicamente — conforme divulgado pelo site Políticos do Sul da Bahia — que não será mais candidato a deputado federal, pois pretende se dedicar à atividade religiosa.
A pergunta que paira no ar: sem mandato, Alex Santana conseguirá viabilizar recursos para manter o funcionamento do hospital?

A nomeação de Gildo Batista também acirrou conflitos internos. Há rumores de que ele foi retirado da Secretaria de Administração por se tornar um fardo político para o prefeito, que acabou entregando a pasta ao ex-vereador Lucas Muniz como parte de um acordo visando a eleição municipal de 2024.

Com a instabilidade financeira e as disputas políticas, o futuro da Fundação Hospitalar de Camacã é incerto — justamente em um momento em que a população mais depende da sua assistência.