
{"id":33354,"date":"2012-01-26T14:18:47","date_gmt":"2012-01-26T16:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/?p=33354"},"modified":"2012-01-26T14:18:47","modified_gmt":"2012-01-26T16:18:47","slug":"reprovado-no-enem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/2012\/01\/26\/reprovado-no-enem\/","title":{"rendered":"REPROVADO NO ENEM"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/13.09.2010EF_02901.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-33356\" title=\"13.09.2010EF_0290\" src=\"http:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/13.09.2010EF_02901-300x204.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/13.09.2010EF_02901-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.politicosdosuldabahia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/13.09.2010EF_02901.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> Por Jos\u00e9 Serra.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Enem \u2014 Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio \u2014 foi criado pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o Paulo Renato de Souza, em 1998, como parte de um esfor\u00e7o para melhorar a qualidade das escolas desse ciclo educacional. Para isso, precisava de um instrumento de avalia\u00e7\u00e3o do aproveitamento dos alunos ao fim do terceiro ano, com o prop\u00f3sito de subsidiar reformas no sistema. Iniciativas desse tipo tamb\u00e9m foram adotadas nos casos do ensino fundamental e do universit\u00e1rio. Nada mais adequado do que conhecer melhor o seu produto para adotar as terapias adequadas. O principal benef\u00edcio para o estudante era avaliar o pr\u00f3prio conhecimento.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\"> O Enem \u00e9 uma prova volunt\u00e1ria e de car\u00e1ter nacional.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As quest\u00f5es s\u00e3o as mesmas em todo o Brasil. Sua expans\u00e3o foi r\u00e1pida: at\u00e9 2002, cerca de 3,5 milh\u00f5es de alunos j\u00e1 tinham sido avaliados. Note-se que Paulo Renato chegou a incentivar que as universidades levassem em conta o resultado do Enem em seus respectivos processos seletivos. Em 2002, 340 institui\u00e7\u00f5es de ensino superior faziam isso.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda que o PT e seus sindicatos tivessem combatido o Enem, o governo Lula o manteve sem nenhuma modifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 2008, quando o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o anunciou, pomposamente, que ele seria usado como exame de sele\u00e7\u00e3o para as universidades federais, o que \u201cacabaria com a ang\u00fastia\u201d de milh\u00f5es de estudantes ao por fim aos vestibulares tradicionais.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A partir dessa data, dados os erros metodol\u00f3gicos, a in\u00e9pcia da gest\u00e3o e o estilo publicit\u00e1rio (e s\u00f3!) de governar, armou-se uma grande confus\u00e3o: enganos, desperd\u00edcio de recursos, injusti\u00e7as e, finalmente, a desmoraliza\u00e7\u00e3o de um exame nacional.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Enem, criado para avaliar o desempenho dos alunos e instruir a interven\u00e7\u00e3o dos governos em favor da qualidade, transformou-se em porta de acesso \u2014 ou peneira \u2014 para selecionar estudantes universit\u00e1rios. Uma estupenda contradi\u00e7\u00e3o! Lan\u00e7aram-se numa empreitada para \u201cextinguir os vestibulares\u201d e acabaram criando o maior vestibular da Terra, dific\u00edlimo de administrar e evitar falhas, irregularidades e colapsos. A ang\u00fastia de milh\u00f5es de candidatos, ao contr\u00e1rio do que anunciou o ent\u00e3o ministro, Fernando Haddad, cresceu em vez de diminuir. E por qu\u00ea?<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Porque a um engano grave se juntou a in\u00e9pcia. Vamos ao engano. Em 2009, o Enem passou a usar a chamada \u201cTeoria de Resposta ao Item\u201d (TRI) para definir a pontua\u00e7\u00e3o dos alunos, tornados \u201cvestibulandos\u201d. Infelizmente, recorreu-se \u00e0 boa ci\u00eancia para fazer pol\u00edtica p\u00fablica ruim. A TRI mede a profici\u00eancia dos alunos e \u00e9 empregada no Saeb (Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) desde 1995, prova que n\u00e3o seleciona candidatos \u2013 pretende mostrar o n\u00edvel em que se encontra a educa\u00e7\u00e3o, comparar as escolas e acompanhar sua evolu\u00e7\u00e3o, para orientar as pol\u00edticas educacionais.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Como o Enem virou prova classificat\u00f3ria, o uso da TRI, que n\u00e3o confere pontos aos alunos segundo o n\u00famero de acertos (Teoria Cl\u00e1ssica dos Testes \u2013 TCT), renovou a \u201cang\u00fastia\u201d. O \u201ccandidato\u201d n\u00e3o tem ideia da pontua\u00e7\u00e3o que lhe v\u00e3o atribuir porque desconhece os crit\u00e9rios do examinador. Uma coisa \u00e9 empregar a TRI para avaliar o n\u00edvel dos jovens; outra, diferente, \u00e9 fazer dela um mist\u00e9rio que decide seu destino. Na verdade, o \u201cnovo\u201d Enem passou a usar a TRI para, simultaneamente, selecionar alunos, avaliar o desempenho das escolas, criar rankings, certificar jovens e adultos que n\u00e3o completaram o ensino m\u00e9dio e orientar o curr\u00edculum desse ciclo. N\u00e3o h\u00e1 exame no mundo com tantas finalidades discrepantes.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A Teoria Cl\u00e1ssica dos Testes n\u00e3o distingue o acerto derivado do \u201cchute\u201d daquele decorrente da sabedoria. A TRI pode ser mais apropriada como forma de avaliar o n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o, mas, como crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o, vira um enigma para os candidatos. Os vestibulares \u201ctradicionais\u201d, como a Fuvest, costumam fazer sua sele\u00e7\u00e3o em duas etapas; uma primeira rodada com testes e uma segunda com respostas dissertativas \u2014 que n\u00e3o comportam o chute.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Enem-vestibular do PT concentrou, ainda, na prova de Reda\u00e7\u00e3o a demonstra\u00e7\u00e3o da capacidade argumentativa do aluno. Al\u00e9m de as propostas virarem, muitas vezes, uma peneira ideol\u00f3gica, assistimos a um espet\u00e1culo de falta de m\u00e9todo, incompet\u00eancia e arb\u00edtrio. O pa\u00eds inteiro soube de um aluno da escola Louren\u00e7o Castanho, em S\u00e3o Paulo, que recorreu \u00e0 Justi\u00e7a e sua nota, de \u201canulada\u201d, passou para 880 pontos \u2014 o m\u00e1ximo poss\u00edvel \u00e9 mil. Outro, ao receber uma explica\u00e7\u00e3o sobre seus pontos, constatou um erro de soma que lhe roubava 20 pontos. Outros 127 estudantes conseguiram ter suas notas corrigidas. Atentem para a barbeiragem t\u00e9cnica: nos testes, recorre-se \u00e0 TRI para que o \u201cchute\u201d n\u00e3o tenha o mesmo peso do acerto consciente, mas o candidato fica \u00e0 merc\u00ea de uma corre\u00e7\u00e3o marcada pelo subjetivismo e pelo arb\u00edtrio.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00c9 conhecida tamb\u00e9m a sucess\u00e3o de outros problemas e trapalhadas: quebra do sigilo em 2009, provas defeituosas em 2010 e nova quebra de sigilo em 2011. Al\u00e9m disso, os estudantes que, via Justi\u00e7a, cobram os crit\u00e9rios de corre\u00e7\u00e3o das reda\u00e7\u00f5es, costumam receber mensagens com erros grotescos de portugu\u00eas. Todos n\u00f3s podemos escorregar aqui e ali no emprego da norma culta. Quando, por\u00e9m, um candidato questiona a sua nota de reda\u00e7\u00e3o e recebe do pr\u00f3prio examinador um texto cheio de erros, algo de muito errado est\u00e1 em curso.<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Se o MEC queria acabar com os vestibulares, n\u00e3o poderia ter criado \u201co\u201d vestibular. Se o Enem deve ser tamb\u00e9m uma prova de acesso \u00e0 universidade, n\u00e3o pode ser realizado apenas uma vez por ano \u2014 promete-se duas jornadas s\u00f3 a partir de 2013. A verdade \u00e9 que o governo n\u00e3o criou as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas necess\u00e1rias para que a prova tivesse esse car\u00e1ter. A quebra de sigilo em 2011 se deu porque quest\u00f5es usadas como pr\u00e9-testes foram parar na prova oficial. O banco de quest\u00f5es do Enem n\u00e3o suporta a demanda. O PT se esqueceu de cuidar desse particular no af\u00e3 de \u201cmostrar servi\u00e7o\u201d \u2014 um p\u00e9ssimo servi\u00e7o!<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O ex-ministro Haddad, antes de deixar o cargo, fingiu confundir a cr\u00edtica que fizeram a seu desempenho com cr\u00edticas ao pr\u00f3prio Enem, o que \u00e9 falso. Talvez seu papel fosse mesmo investir na confus\u00e3o para tentar apagar as pegadas que deixava. O nosso papel \u00e9 investir no esclarecimento.<\/span><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Por Jos\u00e9 Serra. O Enem \u2014 Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio \u2014 foi criado pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o Paulo Renato de Souza, em 1998, como parte de um esfor\u00e7o para melhorar a qualidade das escolas desse ciclo educacional. 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