Até o final do mês de agosto, o governo do Estado, através da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), deverá publicar decreto disciplinando a questão da retirada de árvores exóticas e madeira caída nas áreas de cabruca, permitindo o manejo sustentável. Foi o que explicou o secretário da Sema, Eugênio Spengler, durante reunião realizada nesta segunda-feira (20), na Secretaria da Agricultura, com o secretário Eduardo Salles; Juvenal Maynart, superintendente da Ceplac na Bahia; Guilherme Pinto, presidente da Associação de Produtores de Cacau da Bahia (APC) e diretor da Faeb.
Também participaram da reunião o superintende de Desenvolvimento da Agropecuária da Seagri (SDA), Raimundo Sampaio, Ednaldo Ribeiro, extensionista da Ceplac, Dan Érico Lobão, engenheiro florestal e pesquisador da Ceplac, e o técnico Demosthenes Carvalho.
A questão das árvores nativas é mais complexa e vai demandar discussões, ajustes na legislação federal e a realização de pesquisas científicas. Nesse sentido, ficou definido que a Ceplac encaminhará, até o final desse mês, um projeto de pesquisa, envolvendo 34 hectares e 12 fazendas na região cacaueira, para demonstrar a viabilidade econômica e ambiental do manejo sustentável do cacau cabruca na Mata Atlântica. O projeto visa ser referência na conservação produtiva e promover o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras de cacau.
“O cacau cabruca foi e é o grande responsável pela conservação do que resta da Mata Atlântica na Bahia, mas precisamos de ações para alcançar a sustentabilidade econômica das fazendas que utilizam esse sistema, sob pena de, nos próximos anos, vermos as áreas de pastagens avançarem sobre a cabruca”, disse o secretário Eduardo Salles. Ele destacou que a preservação da Mata Atlântica na Bahia é dever de todos, e o manejo sustentável vai permitir aos produtores continuar preservando, devido ao incremento da produtividade e de outras receitas, dando viabilidade econômica às propriedades e impedindo o abandono destas.
De acordo com o superintendente da Ceplac, a o estudo científico pactuado será a base para o futuro, dando a base para a expansão do manejo sustentável do cacau cabruca. Ele enfatizou que “o produtor será fiel depositário da Mata Atlântica, podendo obter receitas de diversas formas”.